Projetos paralelos

Boca de Rua – O dia a dia

(Documentário)
Em 15 anos de existência, o Boca de Rua já chamou a atenção de vários jornalistas, cineastas e estudantes, ganhou prêmios no Brasil e no exterior. Diversos trabalhos de pesquisa foram publicados sobre a sua organização interna ou até sobre as histórias particulares de alguns integrantes. Mas poucos conseguiram decifrar o mistério do seu andamento.
Na verdade, o segredo do Boca de Rua encontra-se no seu grupo de redatores-vendedores, que esse documentário se propõe a acompanhar num período longo e de maneira participativa, mostrando não apenas o processo de redação do jornal, mas também o ambiente de trabalho do grupo, as atividades paralelas desenvolvidas, as pautas discutidas nas reuniões, o dia-a-dia dos vendedores, as dificuldades encontradas, as injustiças sofridas, as soluções encaminhadas.
Pois o “Boca” é bem mais que um jornal. É um compromisso improvável que envolve pessoas em situações precárias e marginais. É um encontro semanal onde cada um chega com a sua história, sua rotina, suas vivências, seu caráter, seus humores, seu “certo” e seu “errado”.
O Boca de Rua não é perfeito. Mas ele vai percorrendo o seu caminho, enfrentando obstáculos, levantando desafios e levando adiante a sua vida.

Boquinha

O Boquinha é o suplemento infanto-juvenil do jornal Boca de Rua. A gurizada botou a boca no mundo em fevereiro de 2003, quando filhos e protegidos dos integrantes do Boca – que normalmente os acompanhavam às reuniões – foram organizados em um grupo à parte. Os encontros eram realizados a céu aberto, no Parque da Redenção. Quando chovia, era preciso buscar a proteção dos quiosques. Os papéis molhavam, as tintas borravam, as crianças espirravam. Mesmo assim, desde o começo os meninos e as meninas integrantes do projeto deixaram claro que carência de recursos e de oportunidades não são sinônimos de falta de imaginação, criatividade, alegria, clarividência e capacidade de perceber e interpretar a realidade.
Hoje o projeto reúne crianças e adolescentes com idades entre três e 13 anos, que são responsáveis pela produção de textos, fotos e ilustrações publicados no suplemento. Eles não vendem o jornal, que é comercializado pelos adultos, de mão em mão, pelas ruas da cidade.
O objetivo do Boquinha é mostrar o mundo às crianças e as crianças ao mundo. O “mundo” a ser mostrado é composto por outras realidades além da violenta dureza das ruas. Para isso, o grupo faz passeios a diversos locais da cidade, incluindo cinemas, teatros, parques, museus, exposições, entre outros. Também desenvolve atividades artísticas e de lazer, sempre exercendo a participação coletiva. A segunda parte do objetivo – mostrar as crianças para o mundo – pretende apresentar à sociedade a capacidade destas crianças de criar, produzir arte e linhas de pensamentos singulares e importantes para subsidiar tanto as políticas públicas quanto os conceitos a respeito desta população. Ao contrário do que se costuma repetir, crianças em situação de vulnerabilidade social não têm menos capacidade nem criatividade.
No início do projeto, a maior parte vivia e dormia na rua. O trabalho junto às famílias e às instituições as quais alguns estavam vinculados, além de uma ajuda de custo mensal aos pais e/ou responsáveis, contribuiu para mudar o perfil dos integrantes do projeto. No momento todos os integrantes do Boquinha moram com familiares e frequentam a escola.
Uma vez por mês as mães ou responsáveis comparecem a uma reunião com os técnicos do projeto. Nesses encontros, fala-se dos problemas e conquistas dos filhos (inclusive dos que não estão vinculados ao Boquinha), das dificuldades em terem acesso a equipamentos de atendimento, dos planos, sonhos ou frustrações. As participantes trocam conselhos entre si, compartilham experiências e debatem temas de seu interesse. Dessas conversas nascem as crônicas da coluna Mãe Coruja, também publicada no jornal.
O Boquinha, por sua vez, acontece entre brincadeiras e conversa séria. A gurizada produz três páginas de textos, ilustrações e fotografias. Os assuntos não são previamente determinados em reunião, mas vão surgindo a partir dos passeios, das preocupações e interesses. A edição surge de forma natural. Entretanto, todas as atividades são planejadas junto com o grupo, dividindo-se brincadeiras, passeios culturais, oficinas de escrita e de artes.
Ao ler o suplemento infanto-juvenil, é impossível não se encantar com a incrível capacidade que estas crianças têm para interpretar a realidade e reinventá-la. Em 12 anos de existência, eles já criaram uma lei, reformou a cidade inteira, interpretaram a família em todos os seus aspectos, inventaram planetas, deram luz a histórias impregnadas de poesia, dissecaram sentimentos e desvendaram os segredos de um mundo jamais suspeitados por quem vive no conforto de uma vida alinhada com os valores tradicionais. “O Boquinha ilumina os meninos e as meninas”, escreveu Taís, aos 13 anos, sem saber que, com uma única frase, resumia todo o projeto. Luz é revelação, ideia, compreensão, criatividade e lugar ao sol.

Corujas e Cia

A coluna Corujas e Companhia é produzida pelos responsáveis pelas crianças do Boquinha. O textos são produzidos durante as reuniões mensais que reúnem mães, pais e avós. Nesse encontro as conversas sobre os filhos e netos acontecem com naturalidade e todos pensam juntos, trocam experiências e aconselham uns aos outros. As reflexões são a base dos textos publicados.

Exposições fotográficas

Os integrantes do Boca de Rua já produziram duas exposições fotográficas: Faces da rua e As duas faces da rua. A primeira retrata cenas cotidianas da população de rua e a segunda mostra os dois lados da cidade, aquele onde vive a população rica e a outra, onde habitam os sem-teto.

Livros

O Boca de Rua possui três livros:
Histórias de mim feito a partir de oficinas de escrita livre pelo psicólogo Manoel Madeira, a obra traz textos em prosa e poesia sobre a experiência de vida de seus participantes. O livro foi impresso pela editora Quixote.
Livros-arteos livros Mãe Coruja e Boca de Rua têm capa de papelão costurada a mão e ilustrada por artistas plásticos apoiadores do projeto e também pelas crianças do Boquinha. O primeiro reúne as crônicas dos responsáveis pelas crianças do Boquinha. O segundo traz textos publicados no jornal Boca de Rua. A metodologia utilizada é uma criação da paulista Dulcinéia Catadora e foi ensinada pela equipe do Cabaré do Verbo.

Vídeos

Oficinas de vídeo realizadas com os integrantes resultaram em pequenos documentários, entre eles:
Carta de Porto Alegre – Os moradores de rua de Porto Alegre apresentam a cidade aos moradores de rua de São Paulo. O trabalho fez parte da dissertação de mestrado da psicóloga Janaína Bechler e foi apresentado na Praça da Sé e na Câmara Municipal paulista.

Ali na capa tá euo vídeo apresenta o jornal Boca de Rua sob a perspectiva de seus integrantes.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s