Boca de Rua, único no mundo

Um jornal fala e por isso o nosso tem até o nome de Boca. Mas também escuta o povo da rua, escuta outros movimentos. As pessoas também nos escutam quando compram nosso jornal, a universidade nos escuta quando nos chama para falar do nosso trabalho. O outro lado da cidade nos vê porque nos escuta e nos lê. Ver, falar e escutar. É assim que a comunicação é feita.

JUNTOS!

“Quando os integrantes do Boca se reúnem, eles formam uma roda. Ninguém fica na frente de ninguém. Todos podem se olhar nos olhos da mesma distância. Em 18 anos de vida, passamos por muita coisa juntos. JUNTOS, essa é a palavra que nos define.
Tivemos momentos difíceis e ainda temos. Sofremos perseguições e preconceitos, fomos acusados de muita coisa, perdemos apoios e, o pior, perdemos muitos amigos que foram assassinados ou morreram por causa da péssima assistência oferecida para os moradores de rua. Denunciamos cada uma dessas injustiças. Mas também falamos coisas boas, sobre a cidade, nossa cidade. Porque, como qualquer morador de Porto Alegre, também somos cidadãos.
Quando o Boca começou, a organização dos moradores de rua quase nem existia, mas hoje sim. Isso nos dá um grande orgulho e estímulo para continuar. Vida longa ao Boca!”

Boca de Rua, n°70 – editorial da edição especial comemorando 18 anos do projeto

 

 

Boquinha é o nosso bebê

O Boquinha é o filho do Boca. É nosso bebê. É a nossa aposta em um futuro melhor. É a esperança de que nenhuma criança passe pelo que nós passamos. Nenhuma criança merece ter a rua como casa, viver longe dos pais e dos irmãos, apanhar da polícia, ter que pedir ou roubar para comer. Nenhuma criança merece viver com medo e com frio. Nenhuma criança merece usar droga para esquecer o sofrimento e a fome. Todo o cuidado é pouco e nenhum esforço é demais para nós, quando se trata do Boquinha. A nossa maior retribuição, o nosso maior presente, é que todas estão em casa, com as famílias e estudando na Escola.

 

Alice no país da desigualdade

A Agência Livre para Informação, Cidadania e Educação – ALICE- defende o direito à comunicação, garantido pelo artigo 19 da Declaração dos Direitos Humanos. Fundada em 1999, é uma organização não-assistencial sem fins lucrativos que tem como objetivos desenvolver projetos de comunicação alternativos e autogestionáveis, debater o comportamento, a ética e as tendências da imprensa, formar leitores críticos e contribuir para democratizar e qualificar a informação no país.