Sobre nós

Boca de Rua, único no mundo

Um jornal fala e por isso o nosso tem até o nome de Boca. Mas também escuta o povo da rua, escuta outros movimentos. As pessoas também nos escutam quando compram nosso jornal, a universidade nos escuta quando nos chama para falar do nosso trabalho. O outro lado da cidade nos vê porque nos escuta e nos lê. Ver, falar e escutar. É assim que a comunicação é feita.

O Boca começou desconhecido e hoje passou a ser bem recebido em qualquer parte. Somos convidados para falar até na Universidade e a participar de vários encontros (ver matérias página 10 e 11). Isso acontece porque ele funciona completamente diferente dos outros, até mesmo dos que são vendidos por moradores de rua no resto do mundo. Em toda a International Network Street Papers (INSP)- que tem mais de 120 publicações em 24 idiomas e 40 países- é o único totalmente feito por nós. Isso é muito importante. Não se pode plantar uma laranjeira e colher limão. Ninguém melhor do que nós para falar sobre a vida na rua. Nós somos as laranjas, outra pessoa falando sobre o assunto seria o limão na laranjeira. É parecido, mas não é igual. A gente vive o que diz. Sente que o diz. É um jornal vivido. Aqui não é aquela história de Profissão-repórter. É Repórter-profissão.

As primeiras reuniões aconteceram na Praça do Cachorrinho, em frente ao colégio Rosário, depois o Boca se mudou para a Redenção, onde nasceu o Boquinha, nosso filho, que acolhe as crianças e adolescentes filhos ou parentes de moradores de rua. Hoje todas vivem em casa e estão no colégio.

Nesses 15 anos o boca passou pelo Bandejão Popular (perto do antigo estádio do Grêmio) e o Restaurante Popular (em frente a Rodoviária). Hoje os dois foram fechados e o povo da rua não têm uma refeição popular a sua disposição. Passou vários anos funcionando do Grupo de Apoio à Prevenção da Aids  (Gapa), que foi muito parceiro. Nas férias, quando o Gapa fechava, passou pelo Cpers – Sindicato dos Professores e no Camp – Centro de Assessoria Multiprofissional, sala 10 do Mercado Público e Casa de Cultura Mario Quintana. Nesta última, teve um período tranquilo, no passado, mas no começo deste ano foi discriminado. Atualmente a sede é no Museu de Comunicação Hipólito José da Costa.

O número zero do jornal circulou durante o Fórum Social Mundial. O povo ainda era tímido para vender. Depois foi se acostumando, passou a vender nas ruas e bares. Nem todos compravam. Foi Carlos Henrique que teve a ideia de oferecer na sinaleira. A moda pegou. Quem está com o crachá do Boca, não tem erro. Ele nos tira dos maiores apertos. Somos trabalhadores e é um orgulho pertencer ao Boca.


 

Boquinha é o nosso bebê

O Boquinha é o filho do Boca. É nosso bebê. É a nossa aposta em um futuro melhor. É a esperança de que nenhuma criança passe pelo que nós passamos. Nenhuma criança merece ter a rua como casa, viver longe dos pais e dos irmãos, apanhar da polícia, ter que pedir ou roubar para comer. Nenhuma criança merece viver com medo e com frio. Nenhuma criança merece usar droga para esquecer o sofrimento e a fome. Todo o cuidado é pouco e nenhum esforço é demais para nós, quando se trata do Boquinha. A nossa maior retribuição, o nosso maior presente, é que todas estão em casa, com as famílias e estudando na Escola.


 

Alice no país da desigualdade

A Agência Livre para Informação, Cidadania e Educação – ALICE- defende o direito à comunicação, garantido pelo artigo 19 da Declaração dos Direitos Humanos. Fundada em 1999, é uma organização não-assistencial sem fins lucrativos que tem como objetivos desenvolver projetos de comunicação alternativos e autogestionáveis, debater o comportamento, a ética e as tendências da imprensa, formar leitores críticos e contribuir para democratizar e qualificar a informação no país.

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